domingo, 10 de abril de 2011

#10:27

e se você dissesse que sim, eu iria. Pernas tremendo, barriga congelada, olhos de diamantes, mas eu iria. De pau ereto e tudo mais. Me entregaria na cama, no bar, na rua e até debaixo da ponta. Mas você precisa pedir, vem. Você precisa se libertar dessa camada de ferro, e vir me desarmar. Entra no túnel comigo, invade essa dor aqui dentro. Me costura, porra. Vai logo. Não posso perder mais tempo. Não aguento mais olhar para o jardim lá fora sem flores, sem regadores, sem terra, sem adubo. Vai cacete, planta qualquer coisa, qualquer semente, pode ser feijão, como você fazia no primário. Te dou o algodão, pode ser? Eu até posso regar com minhas lágrimas de um pretérito imperfeito, mas não quero essa água, quero a sua água. O seu suor junto ao meu. Quero sua água com cheiro de loucura e pudor. Vem? Vem! Vem. Que eu danço no seu compasso, mesmo não sabendo mexer os dedos do pé.

3 comentários:

Laís Pâmela disse...

Seus textos são perfeitos.
Adoro sempre vim aqui.
Adora uma pergunta: por que todos eles tem os títulos de horas? É a hora que você escreveu?
Beijos.

Jonatha Cruz disse...

meu que louco isso!

Nat disse...

e eu ia lendo e sorrindo, como quem lembra daquela tarde remota...

Eles