domingo, 12 de abril de 2009

Fuga de emergência.

Saída de emergência. Foi o que eu consegui ler. No momento era minha única salvação, eu fugia dos meus medos, de meus deveres, e até de meus direitos. Eu sempre fui esta pessoa cheia de medos, de insegurança, até medo da vida eu tenho. Medos estes que até hoje não se acabaram, não consigo enfrentá-los, por mais que 18 anos eu já tenha realizado (é eu sempre achei que com dezoito, tudo ia acabar, que eu ia mudar, sofrer uma mega mutação, e se tornar um ser humano melhor).
Desci as escadas, mas não correndo, lentamente, meus passos mais lentos que já dei até hoje, passos de glória, de glamour, e de medo, de receio, de terror. A saída de emergência, não era agora físico apenas, era mais que isso, era psicológico, a palavra "saída" me remetia a fuga, como se meus medos ali fossem parar. Que mentira, ilusão minha. Piorou. A "saída" era escura, estranha, cheia de degraus tortos, eu não achava um interruptor, pra ao menos clarear meu labirinto, cai, não sabia se eu levantava, se eu podia levantar, a parede me ajudou, me auxiliou, mas a parede também me dava um medo enorme, continuei descendo, e agora eu contava os degraus tortos e sem amor a sua vida própia.
Tudo parecia inevitável: a dor, o medo, a escuridão, a insegurança, a falta de sentimentos, sofrer, enfrentar tudo aquilo junto com apenas o tato. Sentia que chegava ao fim dessa "saída" que eu não aguentava mais, queria realmente sair. Um ar mais gelado veio contra meu corpo, me deu um ar de segurança, e logo apressei meu andar. É, ali era o fim. Logo me via deitado na horizontal na minha cama, com duas garrafas, uma era vodka, a outra red label, já não lembro como parei ali. O que restava em mim era a lembrança da fuga, e agora duas garrafas vazias, e sete maços de cigarros, e outras substâncias químicas jogadas ao meu quarto. Já dava quatro e quarenta e cinco da manhã.

Um comentário:

Alice disse...

ai, mudou tudo por aqui. mas tá lindo, viu.
te amo, e continue assim, cara! <3

Eles