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terça-feira, 3 de abril de 2012

montana,

abri os olhos desesperado: acordei me enxergando, que bizarrice humana é se enxergar logo quando se acorda. Primeiro um pé no chão, não me importava se direito ou esquerdo, rapidamente o outro, e logo o frio do meu piso me contagia, me jogo no chão, corpo nu ao chão, movimentos circulares, aleatórios, quero ver o frio me pegar.
Dois minutos de choque corporal, guerra de bunda, costas, pernas.
O silêncio chega, inunda meu quadrado vazio, não consigo falar, pensar, respirar. Deixo a lembrança me levar. Volto para uma outra noite, vivo tudo de novo de uma outra forma, tudo sendo, como nunca foi. Pelado me encontro no meu quarto, um mapa de lembranças no meu corpo, pontos azuis, marrons, vermelhos. Ligações estrangeiras. Meu óculos fica na mesa, não preciso dele agora. Quero enxergar com os meus olhos, aqueles que me foi dado. Se eles tem deficiência não é por acaso. Preciso aceitá-los.

preparo minha cafeína matinal e ascendo meu tabaco nicotinado para uma vírgula no meu dia.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

#13:59

deitei na minha mesma cama, sempre lá, dois travesseiros de pano florido e colcha azul. Me perdi por duas horas, abri os olhos, vi, senti, passei a mão em tudo que meu estômago mandou pra fora, o meu resto e o meu essencial, tudo agora estava no chão do meu quarto, eu na posição de um animal, que antes era o mais feroz e hoje está velho. Deitei em cima daquilo que parecia ser meu, que se dizia ser meu. Não haviam rosas, não havia humanidade. Eu que sempre acreditei no ser Humano. Agora sim, poderia falar de desilusões sobre as afirmações das minhas tias do ensino fundamental. Desenhei com a ponta da faca por todo meu corpo. Nada de interessante, nada que eu possa comparar com algum pintor, ou qualquer cara que traga alguma referência. Eram só rabiscos, mas nada que atingisse um por cento da genialidade de Basquiat. Era tudo vermelho, mas não era uma instalação de Cildo Meireles. Era algo meu, que só me pertencia, não queria dividir, era meu resto, minha essência e meu vermelho-rosa-magenta. Ninguém viu. Ninguém vai sentir.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Sem Título - #07.11

Solto um "AH" como quem tem uma urgência-sobrevivência.

Preciso gritar para ele, mas minha frequência não emociona. Meus curtos braços só alcançam os ares daqui debaixo. Se eu pudesse estar por toda sala, quem sabe a paz estivesse em alguma célula do meu corpo; poderia lhe tocar; alterar sua textura, suas cores.

Havendo água a me oferecer eu não dependeria de "AH" ou dos longos braços, estaria feliz por ser o menor possível, sua paz seria a minha. Seriamos dupla.

AH! Quão utópico são meus pensamentos.

Utópico ou não, ainda quero gritar. Voar e gritar.

Meu Deus não deu voz e asas, mas deu a mim a impossível tarefa de não te desejar.

Laranjeira azul,

um dia chego na lua.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

17:13 - café, chantilly, tinta nova.

Fazem quarenta e sete horas que deitei com a janela aberta. Quarenta e sete horas esperando qualquer célula reprodutora ou não entrar; esperando sem boas ou más expectativas através de meus olhos e todo o meu corpo, que é de uma cor não uniforme; qualquer sensação que venha me movimentar na minha cama bege; meus seios estão de fora; estes são meus seios, sem graça, de tom universal; meus mamilos não sentem frio. Estou a uma espera - sem afeto.

Eu; pessoa; corpo; alma; célula; bicho. Quarenta e sete horas sem me movimentar, minha janela, esta que é só minha, está aberta. Fico aqui, a mercê de uma sensação que me tire dessa forma clássica européia.

Do lado de la há mentira, corpos sem célula, fumaça, sapatos, papéis solto, líquidos, líquidos. Eu quero o aqui e não o de lá. Aqui não há sono. Aqui é completo de nada.

Seja o que for, venha cheio de vazio. O meu nada aceita apenas o que é completo de nada. Meu percurso é vazio, não precisa de algo. Se for entrar, tenho uma janela aberta, se for me possuir, meus olhos estão estalados.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

#10-11 10:36 - Moonshiner - Cat Power

Praticamente tudo amanheceu escuro, cinzento, um azul mórbido e parado. O sol ali estava, mas pouco importava, ela não amanheceu loiro, nem avermelhado, muito menos com um laranja-nascer-do-sol. Para ele que acordou com o cigarro na boca, notou que as únicas cores mais atraentes eram de seu isqueiro, que eram visíveis em: 1, 2, 3, no máximo 4 segundos. Ele tentou reanimar- se nessa manhã. Mas ele já leu todos os livros de sua prateleira. Alguns até duas vezes. A agulha do seu toca-disco amarelo estava quebrada, nada de música nessa manhã. Nada para essa manhã.

Deitou. Seus sentimentos foram embora de madrugada. Ascendeu outro cigarro. Filtro vermelho, claro. Dor no peito, uma dor de nada, de não existir nada. Lembrou que hoje tem que ir pro escritório, mais um nada no seu dia. Sua droga estava no criado-mudo, sem pensar muito, e sem auxílio de canudo, papel, nota de 5 reais, ele colocou toda aquela nuvem para dentro. Sem efeito imediato. Sem efeitos. Era assim que ele se encontrava olhando para o espelho com o terceiro cigarro da manhã - sem efeito.

Existe o banho que por obrigação teria de vir. Mas ele não vive por obrigações. Nunca se cobrou por nada, não vê motivo para isso. Deitou na cama, esperando o efeito. Nada de efeito nessa manhã. Nada de ações para sua vida nessa manhã. Como entreter o cara do prédio da frente que o observa todas as manhãs? Então ele, resolveu fazer café. Apertou o botão e puff, o café já estava na mesa. Tomou no gargalo do bule reformado por ele para que possa sempre tomar no gargalo. Afinal, ele agora mora sozinho, não tem nada pra dividir. Só divide sua manhã com o cara da frente. Mas nem o café tem efeito nessa manhã. Com a certeza que nada mudaria naquela manhã, resolveu escrever uma carta para quem entrar pela porta sem bater, jurando que é dia de festa. Escreveu, no criado-mudo agora sem nuvens de areia, deixou. Voltou a dormir.

domingo, 2 de outubro de 2011

19:23 - primavera.

talvez é só loucura mesmo que invade todos núcleos de minhas células irracionais.
hoje, amanhã e ontem quero você do meu lado, sonhando no meu peito sem pensar em todo o concreto que existe lá fora.

fui pré-destinado a ser, mas há insuficiência de todos os lados, adoeço.

domingo, 4 de setembro de 2011

(...)

.. o calor de nossos corpos, juntos, como se fosse a primeira vez, o seu coração batendo em cima do meu, o meu coração se chocando com o seu, minha pele que nunca acreditou em outras peles ficou toda sem jeito, reconhecendo a sua, desejando sua pele desconhecida-familiar. Toda aquela orgia de corpos virgens, dois minotauros em cima de um tablado sem cor, pintando as quatro paredes como um céu de setembro.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

#F_

(...) depois de tantas horas, dias, semanas, eu que achei que não iria me importar com pessoas, passo a primeira noite de um setembro olhando para dois visores, tentando te achar, tento conversar comigo mesmo, mas só angústias, um buraco enorme e desconhecido. Você tá aqui? Tá comigo? Não sei, não sei, não sei. A vida é pura incerteza e se a água derrama pelo vale, é porque o rio quer nutrir todo o seu entorno. Ele quer árvores e flores e um céu magnífico para setembro, outubro, novembro e dezembro, este, que é o mês do novo ciclo. Não só meu, como de toda a natureza selvagem.

água do outro lado, água por aqui. Tabaco, tabaco. Ausência-água-tabaco. Uma noite de um começo de incertezas. Uma ousadia sem tamanho a medir.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

#

e eu que antes tinha dois minutos, me restam apenas um e sinceramente não sei o que fazer com ele. Só penso em olhar, contemplar, beijá-lo, gozar com ele. É meu. De mais ninguém. Pouco me importa o que faz com seu um minuto do fim. Eu quero saber o meu. Não é orgulho, nem egoísmo. Ele foi me dado. E você que nunca se deu para mim, fique sem meu último um minuto.

(...)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

#

Um dia típico paulistano, uma dor típica a destes dias. Ah, como as unhas ficam diferentes com o cinza desse céu que me persegue. Estava na zona norte, fui pra zona oeste, tentando qualquer fuga, mas lá estava ele, sorrindo cheio de ironia para mim.

As pessoas andam me irritando. Não sei, não estou estressado, nem nervoso. Mas são tão bobas e tristes por dentro.

São Paulo anoiteceu garoando.

domingo, 26 de junho de 2011

alguma tristeza está em mim. não reconheço. falho mais uma vez.

Eu sei que aquela rosa, plantada a algum tempo ainda está lá, triste, mas não morta. Sua pétalas, doces, pedem por água. Não há mais fotossíntese nessa terra. Até quando Meu Deus? Ah, chorar não alimenta flores. É inevitável, morre- se quando não há nutrientes.

Há uma tristeza neste adubo. Uma tristeza completamente famosa, uma dor desconhecida. Até quando terei que ver filmes de lembranças, ouvir músicas sem saber que sensação é essa. Quem é este que me persegue nos reflexos desta casa do campo?

Vai Madalena, persegue. Vai Madalena, corre. Cansei de enfraquecer sob a luz do dia, sob a luz desta lua. Não dá para contemplar o universo apenas. Quero o toque.

Não é reclamação, não é dizeres comum. Mas chega uma hora que você torna- se big bang. É toda aquela dor de musculo, de corpo, de alma sai pra fora. Vai pro mundo. Alcança as raizes deste chão. Ah moça de olhos azuis. Olha para mim. Eu tenho flores, tenho o vaso, mas não há este nutriente de seus olhos nos meus.

Não consigo fotossíntese nú. Não consigo ser fotossíntese. Sentimento do mundo. Sentimento obscuro.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

# 22:35

e eu que sempre brinquei de ser rei da minha vida. Comprava todos os tipos de papéis na papelaria do bairro, decorava com tudo, de lantejoulas à celofane. E eu que quando erguia aquela coroa de papel barato, me enxergava como gerson, como o imperador, o ditador da minha felicidade. E eu que achava que detinha o poder, hoje caio por terra, sujo de barro, lágrimas desfazendo minha última camada de pele, corroendo minha pupila, minha sobrancelha no chão e minha expressão facial desfeita no pó da cidade velha. Eu que achava que para ser bastava colocar aquele ouro na testa, correr por aí, gritar, ordenar. Eu que fui ingênuo e acreditei em suas palavras. Acreditei nas minhas. Ahhhhh, como era bom me sentir o rei de minhas terras. Ah, como eu queria aquela inocência infantil, aquele olhar juvenil, aquela esperança de quem acabou de chegar na terra. Como eu queria que você dissesse hoje: você é meu. Meu rei, meu servo, meu plebeu, meu imperador, meu ditador, isso não importa. Preciso só do pronome possessivo e ponto.

domingo, 10 de abril de 2011

#10:27

e se você dissesse que sim, eu iria. Pernas tremendo, barriga congelada, olhos de diamantes, mas eu iria. De pau ereto e tudo mais. Me entregaria na cama, no bar, na rua e até debaixo da ponta. Mas você precisa pedir, vem. Você precisa se libertar dessa camada de ferro, e vir me desarmar. Entra no túnel comigo, invade essa dor aqui dentro. Me costura, porra. Vai logo. Não posso perder mais tempo. Não aguento mais olhar para o jardim lá fora sem flores, sem regadores, sem terra, sem adubo. Vai cacete, planta qualquer coisa, qualquer semente, pode ser feijão, como você fazia no primário. Te dou o algodão, pode ser? Eu até posso regar com minhas lágrimas de um pretérito imperfeito, mas não quero essa água, quero a sua água. O seu suor junto ao meu. Quero sua água com cheiro de loucura e pudor. Vem? Vem! Vem. Que eu danço no seu compasso, mesmo não sabendo mexer os dedos do pé.

sábado, 2 de abril de 2011

#18:04

e ela produzia um choro agudo no meio de todo aquele silêncio urbano. Ela precisava fumar, não podia, algo impedia seus pulmões de trabalhar. Em segundos, chuva. Esta foi a quebra de seu choro, de todo aquele silêncio da cidade. Ela é muito egoísta e não gosta de dividir seu choro com o choro do céu. Deitou-se, reclamou com as nuvens, fez um pedido pra lua.

Parada. Cabelos bagunçados. Olhos arregalados. Alguns raios em sua volta. Seus braços congelados. Naquele momento ela não sabia distinguir o que era ela, o que estava acima de seu estado ser, do que ela nunca foi, do seu íntimo, do seu secreto, do seu imaginário. Ela não conseguia ser. E isso provocava uma raiva infinita naquele pequeno corpo que agora batia em todas as paredes, atravessava as nuvens e fazia a chuva parar e os raios se acalmar. Era sua vez de chorar. O choro maior tinha que vir dela, de seus olhos, nariz, boca e pele. Ela era a dona do choro maior. Agora tremia. Ascendeu o cigarro, boca torta e trêmula. Ali era como café sem açúcar. Como agulha no vinil.

sábado, 12 de março de 2011

#09:37

nesta manhã ao acordar, abrir a janela e ver o sol renascendo, chorei. Sem explicação. O ato no sense matinal. Sentimento que nunca me pertenceu, e que agora invade minha íris, dilata minha pupila, corrói minhas artérias chegando lentamente na coluna vertebral. A coluna que é só minha. Chorei. Lágrimas azuis, verdes, cor de vinho.

Isso NÃO VEM DE MIM. Vem de fora, do horizonte da cidade, do vertical dos esqueletos dos arranha- céus. Não é meu essa merda de sentimento. Secaram as almas, as energias, a cidade, as lágrimas. Não chorei. Deitei. Deitei sem saber quem era este ou isto. Deitei sem perceber. Sem me perceber.

terça-feira, 8 de março de 2011

21:18

me embebedei.

não tinha mais o que fazer. os remédios já tinha tomados todos no verão do ano anterior, nenhum efeito que me tirasse desse mundo.

estava perdido, 3:57, carnaval, bêbado, silencioso, sacada, garrafas vazias. Nada que mudasse minha concepção de mar. Eu não sabia para onde olhar: mar, pessoas, carros, navios, nuvens, escuridão. Chorar não é remédio; beber tabém não. Mas adiantava.

não estava perdido. Estou. Sou o caminho sem destino, sou o caminhão sem freio, sou o mar sem fim. Fotografei tudo que poderia ser explicado como meu campo de visão. Não para ser lembrado, não para ser vislumbrado, queria poder olhar. Somente olhar, quando eu bem quiser. E é isso que tenho feito. Que fiz. Ainda estou bêbado. Com fotografias na mão. Não consigo ficar em pé. Ainda bem. Só quem sente o chão sabe o quanto ele é frio e duro. Garrafas vazias. Outras pela metade. Vou continuar a noite sem expectativas. Tudo me cansa. Vocês, eles, nós.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

#

perdi as forças ao abrir os olhos, faltou ousadia, faltou concreto. o bolo sem fermento não sobe. ter olhos e não saber enxergar é como uma piscina sem água; só existe um buraco cheio de limites.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

: perdi o coração. Sem dedicatória, sem cicatriz. Apenas o perdi. Fiz a minha canção de narciso, e sai para o universo. Sai para não voltar. Pode me chamar, dar chiliques, nada me faz chorar como nos tempos de guerra fria.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

-

conheço- me no lado mais estranho da vida, nas entrelinhas dos acontecimentos. e isso não me abala como esperava. as coisas se tornam óbvias depois de tanta dor.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

22:33

Mas agora é esse vazio que me sufoca. Escolha? Minha? Sua? Nossa? Dos outros? Dos seus outros? Dos meus outros? Não quero saber.
Agora entro numa fase de extorquir. Extorquir- se. Extorquir- me. E todas suas variações.

Sangue, veneno, dor, amor.
Já dizia a parede da balada: tece dor.



Extorquir: v.t. (...). Exigir de uma pessoa mais do que aquilo a que ela é obrigada.

Eles