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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

#19:28

meu chinelo já não me serve,
azul, preto, o cinza.

nem quarenta e dois, nem um.
não existe numeração para um poder pisar,
me perco em ferro, madeira, pó.

não tenho preocupação de cabeça,
não faço por existir.

ontem eu existi, amanhã eu chorei.
a canção das flores se perdeu no meu presente,
e tudo que eu olhei, hoje está congelado, frio.

maçã apodrece em meu tato,
e tudo o que me sobra é sono.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

#sem título

menina, aguenta ai
e se exploda.
o bicho de nove patas está na esquina,
todo azul-marrom
como nos seus fetiches.

se vibrar você se vira.

na lapa é ano novo.
abraços à catraca.
trânsito na entrada do motel
mas o churrasquinho mal passado tem no serviço de quarto.
a CPTM virou a noite acesa.
se chover não molha.

carne de sol, vinho, tabaco seco. aceso.

domingo, 26 de junho de 2011

café frio à janela,
um silêncio universal.

cinzas, cinza.
caneta, lápis, um notebook velho.

olhar perdido, olhar completamente perdido.
avulso.
grito avulso.
nada sai pela garganta, nada surge nas cordas vocais.

estou alheio à tudo que passa em meu entorno.
um giro sem ângulo concreto.

sábado, 28 de maio de 2011

#paulistanopaulista

hoje um poema me fez emocionar.
Sem dor.
Não chorei,
apenas emocionei.

Cigarro, multidão, poesia.
As pernas pra lá e pra cá,
em cima, embaixo em mim.

hoje um poema me roubou.
Sequestrou- me, tocou- me
com uma delicadeza de jardineiro;
como uma folha que já chorou.

Outono.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

#00:22

quero me fechar no seu quarto.
- te fechar nos meus olhos
e te soltar.

solto dentro de mim, feito um vendaval.
no meu campo de flores, ervas e cogumelos

quero que me olhe para o que eu chamo de eu.
quero que você sinta o que sou.
te vomitar através das lágrimas,
do modo que você volte sem dor.

agora posso penetrar no seu sangue,
dar um "rolê" pelas suas veias.
e no final, você me cuspir pelo líquido do seu prazer.

te tocar, olhar,
te tragar, desgostar.
se você soubesse como as nuvens moram ao nosso lado,
que a lua sorri para nós nesta noite dramática.
beije a noite, pois sem ela não somos nada.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

efeito de atualização

há muita música a ser reproduzida;
há muitas palavras a serem ditas;
há muitos escarros pela frente;

lua, silêncio, agonia
riacho, barulho, confusão

de tudo, pouco sei.
mas do que sei,
já posso escrever,
posso escarrar,
cantar
.
.
.
já posso me calar.

sexta-feira, 25 de março de 2011

#19:59

uma lembrança,
tempo de escola, tempo que o amar era fácil.

lembro que gostoso era amar,
depois que cresce, abre- se os olhos (lê-se fechar),
tudo se apaga, os cinzas surgem,
nada é igual como nas lembranças.

música antiga, fumaça nova, filmes.
cai nessa neura de que viver é um sonho.

sábado, 19 de fevereiro de 2011


árvores e os pássaros,
os pássaros nas árvores,
as árvores sem os pássaros,
os pássaros sem os pássaros,
as árvores sem a terra,
as árvores sem folhas,
as árvores cem folhas,
os pássaros sem folhas,
os pássaros que amam,
os pássaros que bicam,
as árvores que caem,
as árvores que se derrubam,
os pássaros que se matam,
as vidas que se perdem,
as árvores e os pássaros,
os pássaros e as árvores,
os humanos e a natureza,
os humanos sem a natureza,
a natureza sem humanos,
os pássaros,
os bicos,
as penas,
você,
sem árvore,
sem pássaro,
sem natureza.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

#00:08 - 18/02

olhares fixos,
vidas instáveis,
cabeças incontroláveis, fugazes.

tintas, pincéis, vazio.
ausência da coragem,
carência do ser criativo.

você sorri,
o outro chora,
aquele morre.

para todo cavalete deve haver ousadia,
sem conceitos, sem preceito,
morte, vida, choros, risadas, sexo;
ousadia, masturbação, fumaça;
descrença, nascimento, ressureição;
sangue, gozo, adoração.

todo cavalete quer ser,
todo voluntário procurar ser,
o sentido do vento não é,
ser levado está sendo,

cuidado! cuidado!
, jovem pode morrer
, jovem pode nascer
, jovem pode não ser.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

#2008

Senta, não precisa se acanhar,
é hoje a festa,
a festa dos santos,
o baile dos anjos;
é hoje a festa.

Pode se levantar,
vai,
junte- se a massa,
curta este antro,
- este antro onde sempre me perdi.

Não adianta gritar,
é só pra dançar:
a dança de plástico,
das conversas lúdicas,
da falsidade da sociedade.

Mas ainda digo:
é só uma festa,
e cedo ou tarde,
amanhã acaba.

domingo, 7 de novembro de 2010

lua não sorri, lua não chora.
covarde.
sempre está calma e bela;
silenciosa e iluminada;
só alterando sua forma para olhos impuros.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

(...)
minha fome não é humana,
escarro dia e noite para te ver iluminado.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

ao som de etc..

vejo individualismo nos olhos,
sinto egoísmo nas bocas,
gasto sentimentos nas pessoas.

sábado, 15 de maio de 2010

daqui para lá, sem pressa e sem ordem natural,
daqui para lá, sem lágrimas,
daqui para lá, sem casulo, sem dependências;
daqui para aqui, só como colunas reestruturadas
(do vento, meu único medo, é não voar)

domingo, 21 de março de 2010

Às vezes é preciso parar (...)

.




.

e enfim



.

encontrar o silêncio,
a morte,
a alma,
e trocar de essência.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

#

meu céu agora sorri,
e flutua.
meu corpo se reconhece,
se modifica e todos sentem tal mutação.
até eles.

só queria gritar,
mostrar e desabafar
para aqueles que tanto me amam;
mas que não sei,
não me entendem. (ou me entendem)

meu quintal está incrivelmente molhado,
dessa chuva que vale à ouro,
deste sentimento único e quilométrico.
essa água é de batismo, é minha;
essa chuva me pertence. (Nossa)

sábado, 27 de fevereiro de 2010

#

acelera, acelera meu coração,
desacelera o meu tempo no meu êxtase;
e, quando eu pedir, pára esse mundo (pra mim).

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

e no meio de toda aquela turbulência,
aquele caos interno,
eu senti,
senti que já havia matado as esperanças,
mas esperanças ressuscitam,
elas morrem e nascem, (ou não);
e o sorriso, (ah, o mias belo que já percebi) predominou,
a alma ficou contente,
e eu já me sinto viciado
- dominado, em nirvana.

não quero parecer melódico demais,
nem bobo demais,
mas é de minha natureza,
não é açúcar, é afeto.

e se a alma pede,
não há dor que me pare.

-

vai, me absorve que hoje eu quero ser só seu, me dissolve e mexe com a colher



quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

-

esta estranheza que me toca,
é de longe,
é de velhos tempos,
não sei como fugir deste sufoco,
- esta faca que me persegue já é cheia de sangue -,
sangue que é meu,
sangue que é de outros.


este sangue sujo escorre sobre toda minha perna.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

duzentos.

pra que essa falsidade toda,
pra que pensar nessa falsidade toda,
se hoje o que eu preciso é de um abraço,
ou nem isso;
um oi sincero,
ou um aperto em minha mão,
clamando - proteção.

pra que tudo isso se você nunca existiu.

Eles